Por que o Japão?

Nada mais justo estrear as postagens do novo site com a pergunta que mais me fazem. Por que o Japão?


Para explicar minha relação com esse país é preciso voltar muito anos, mais de 20 anos. O momento em que a pequena Julia com 6 anos de idade teve sua primeiro contato com a cultura Japonesa. Com um filme do Studio Ghibli, chamado "Meu Amigo Totoro".

Esse filme me foi apresentado pelo meu pai, através de uma fita VHS, sua intenção era mostrar que uma mudança de cidade não era tão ruim. O filme conta a história de duas meninas que mudam de cidade, para ficar mais perto do hospital que sua mãe está. Mostrando elas descobrindo a casa nova, amigos novos e conhecendo o grande Totoro, um animal místico, criado da cabeça de Hayao Miyazaki, que ajuda as duas meninas em diversas situações. Afinal estávamos de mudança para outro estado e aquele filme poderia deixar as coisas mais fáceis para os meus pais. Deixou. Mas também deixou outras coisas crescendo dentro de mim.

Depois de ser apresentada a esse filme, ainda pequena, percebi algumas coisas, aquela cultura era totalmente diferente da minha, a comida, a casa, o lugar, como eles se vestem, como interagem. E mesmo sendo pequena, meus pais me explicaram da melhor maneira possível, que aquele lugar era o Japão, que "o moço" que escreveu e fez aquele desenho era Japonês. Absorvi aquela informação.

Depois ao longo dos anos continuei consumindo animes, como Pokémon, Digimon, Sailor Moon, mas nenhum deles me fez perceber logo de cara que aquilo se tratava do Japão. Até finalmente receber a notícia (através do meu pai novamente) que um outro filme "do mesmo moço que fez o Totoro" sairia no cinema. "A Viagem de Chihiro", foi lançado em 2001 no Japão e em 2003 no cinemas brasileiros. Eu tinha 11 anos, a identificação com a personagem principal, Chihiro, foi instantânea. A jovem Chihiro enfrenta diversas coisas assustadoras para uma criança, e claro que ela também estava de mudança. Apesar desse filme ter sido muito mais fantasioso do que o anterior que tinha visto, o sentimento de curiosidade foi o mesmo. Fui apresentada para novos conceitos, novos lugares e tudo isso dentro da cabeça da mesma pessoa.

Com os anos passando pude buscar sozinha mais coisas feitas por Hayao Miyazaki, assim assisti "Princesa Mononke", "Castelo Animado", "Reino dos Gatos" "Túmulo dos vagalumes", etc. Nesse ponto já assistia os filmes na língua original, mas ainda tenho um carinho especial em ver Totoro dublado.

Então, através do olhar de Miyazaki pude conhecer uma cultura totalmente diferente da minha, me deixou curiosa, ansiosa, feliz, animada. Toda as vezes em que pesquisava mais sobre o Japão por conta de algum filme novo que tinha visto.

"Que templo é esse que aparece no Totoro?", "O que são essas casas de banho que a Chihiro trabalha?", "O que é isso que eles estão comendo?" "Quais são esses lugares?". Até mesmo buscar por documentários e entrevistas do Miyazaki para entender melhor suas referências.

Com o tempo percebi que não eram só nesses filmes que eu poderia interagir com essa cultura, jogos, outros animes, doramas, procurei saber mais sobre a religião, a história, até o momento em que tomei coragem para entender a língua.

Primeiro tentei aprender sozinha, ainda na faculdade, com 20/21 anos. Não conhecia cursos que ensinassem perto da minha casa, então uma amiga que já sabia tentou me ajudar, mesmo com a sua ajuda, foi frustrante, desisti. Resolvi focar na faculdade e continuar assistindo meus animes que eventualmente eu poderia estar entendendo uma palavra ou outra, claro que não foi verdade.

Até hoje não sei qual era a minha maior frustração, não conseguir aprender ou não ter tentando mais. A língua japonesa me fascinava assim como sua cultura, era claro perceber que a forma de falar, seus alfabetos, tudo que envolvia a língua, era extremamente essencial para compreender seus costumes.

Então depois de formada, consegui arrumar um grupo de estudo, um professor particular, finalmente estaria aprendendo, depois disso conheci o Kumon, parecia ser uma evolução mais rápida e eficiente, foi ótimo para destravar meu aprendizado e tirar minha frustração.

Em 2017, tomei a decisão de que precisava conhecer esse país que esteve presente na minha vida por tanto tempo, eu já sabia tanta coisa e ao mesmo tempo sentia que não sabia nada. Eu já guardava dinheiro para quando essa coragem chegasse, não só chegou uma coragem como também um companheiro de viagem, meu namorado (que se tornou meu marido, companheiro para uma vida toda). Assim como eu, Diogo, também tinha a fascinação pela cultura japonesa, também tinha essa vontade de conhecer o outro lado do mundo, então um deu um empurrãozinho no outro, seguramos as mãos, abrimos as nossas carteiras, raspamos as economias e fomos em Outubro de 2018.



E lá foi ela, conhecer o país que moldou o seu jeito de ser e de ver o mundo. Aprender mais sobre o respeito que eles tem com uns aos outros, sobre a relação deles com o ambiente e a natureza, entender que antes de pedir algo é preciso sempre agradecer por aquilo que já temos e está por vir. Tudo isso eu aprendi conhecendo essa cultura tão diferente da minha, aprendendo sua língua, pesquisando sobre sua história. Entendi também de onde Miyazaki tira todas as suas referências, estava claro pra mim agora. A melhor decisão que tomei foi ter feito essa viagem. A minha primeira viagem internacional também.

Depois de levar o famosos tapa de choque cultural, andar mais de 30 mil passos por dia durante 15 dias direto, aproveitando cada segundo dessa viagem. Voltamos com o nosso coração quente. Sentamos e conversamos muito sobre voltar para o Japão, seria voltar para uma nova visita? Ou voltar para ficar lá? Depois de longas conversas a nossa decisão era a mesma, queríamos conhecer mais, entender mais. Era tão bom não estar sozinha nessa loucura.



Então depois de 1 ano de planejamento, dinheiro juntado, aprendendo o idioma (já a 2 anos), embarcamos novamente rumo ao Japão, e dessa vez sem data para voltar.

Todos os dias desde que cheguei aprendo algo novo, e não estou falando das minhas aulas de japonês que ainda estou fazendo. Esse país está constantemente me ensinando algo nas pequenas coisas. Nos pequenos costumes, que para os nativos já faz parte do senso comum. Por conta desse aprendizado diário compartilho semanalmente experiências, histórias e dicas no meu canal do Youtube. E agora através de texto nesse blog.

Espero que gostem dessa jornada de aprendizado que estarei compartilhando com vocês.

Fiquem bem. Abraços.

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